Morreu aos 95 anos o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Líder da
luta contra o regime de segregação racial do Apartheid, Mandela ficou preso por
27 anos antes de se tornar o primeiro presidente negro do país e ganhar o Nobel
da Paz.

Mandela esteve internado desde o dia 8 de junho em um hospital na África do Sul. Desde dezembro passado, ele foi internado em quatro ocasiões, vítima das infecções pulmonares que sofre há anos, provavelmente devido às sequelas da tuberculose contraída na prisão da ilha de Robben, onde passou 18 dos 27 anos de prisão sob o regime racista do apartheid.

Segundo a “CBS”, o fígado e os rins de Mandela tinham apenas 50% de funcionamento e o ex-presidente “não respondia” e “não abria os olhos”. Em seguida, a presidência sulafricana comunicou que o estado de Mandela era “grave mas estável”. Em Pretória, diante do Mediclinic Heart Hospital, onde Mandela esteve internado, várias pessoas depositavam mensagens, balões e flores.

Luta contra segregação racial

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918 em um vilarejo da cidade de Qunu,na África do Sul. Formado em direito, foi um dos importantes líderes revolucionários na luta contra o Apartheid em 1942, regime de segregação racial implantado na África do Sul que

obrigava os negros a viverem separados dos brancos e os privavam de vários direitos políticos, sociais, econômicos e culturais.

 

Entrou para a oposição e fez parte do Congresso Nacional Africano, CNA, em 1944, onde se juntou com Oliver Tambo e Walter Sisulu na luta contra o regime segregacionista. No ano seguinte, participou da divulgação da “Carta da Liberdade” que tinha argumentos antiapartheid. Apesar de sempre ter defendido a luta pacífica, por meio de discursos, Mandela passou a apoiar a luta armada em 1960, após ver cerca de 69 manifestantes sendo mortos a tiros por policiais sul-africanos em 21 de março , dia que ficou conhecido como o “Massacre de Sharpeville”.

Em 1961, tornou-se comandante do braço armado do CNA, o “Lança da Nação” e buscou ajuda internacional para financiar o combate contra a segregação racial. Sua vida mudou quando foi preso em agosto de 1962 após informes da CIA à polícia e condenado a cinco anos de prisão por incentivo às manifestações contrárias ao regime e saídas do país sem autorização. Três anos depois, Mandela foi julgado novamente e condenado à prisão perpétua por planejar manifestações com armamentos. Detido de 1964 a 1990, mesmo na prisão por 27 anos, conseguiu enviar mensagens organizando e incentivando a luta contra o regime de segregação racial na África do Sul. Durante esse tempo preso, tornou-se o principal símbolo antiapartheid no país.

Nobel da Paz após deixar prisão

Em 11 de fevereiro de 1990, o então presidente do país, Frederik de Klerk solicitou a libertação do líder revolucionário devido à pressões internacionais. Klerk pediu, também, a retirada da ilegalidade do Congresso Nacional Africano. Com isso, o presidente Klerk e Mandela, já com 72 anos, dividiram em 1993 o prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com o regime segregacionista na África do Sul. Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente negro do país em 1994 e foi o principal responsável pela restabelecimento da paz no país sul-africano, principalmente ao promover a reconciliação entre os grupos internos.

O líder encerrou o seu mandato em 1999, se afastando totalmente da política e passando a se dedicar exclusivamente à causas humanitárias de várias organizações sociais. Ele recebeu muitas homenagens no exterior como a a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela voltou ao cenário político mundial mais uma vez fazendo um discurso contra a política externa do presidente norte-americano George W. Bush. No mesmo ano, apoiou campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS.

O anúncio da retirada de Mandela da vida pública veio em junho de 2004, aos 85 anos. Exceto pelo seu compromisso na luta contra a AIDS. O aniversário de 90 anos do líder revolucionário tornou-se um ato público com um show realizado em Londres em julho de 2008, que contou com a presença de célebres artistas a favor da luta contra a doença. O ex-presidente emocionou a todos durante sua aparição no encerramento da Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul. Mandela foi carregado por um carrinho de Golfe pelo gramado do estádio Soccer City e acenou para o público que o aclamou de pé.

Mandela no cinema

Em 2009, um filme sobre a vida de Mandela foi lançado pelo renomado diretor de Hollywood, Clint Eastwood. Na trama de ‘Invictus’, o célebre Morgan Freeman vive Mandela e Matt Damon interpreta François Pienaar, o capitão da equipe de rugby da África do Sul. O filme aborda um capítulo da vida do líder, quando, recentemente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) decide usar o esporte para unir a população. Ele se aproveita da proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, realizada pela primeira vez no país, e, para isso, chama para uma reunião Francois Pienaar (Matt Damon), e o incentiva para que a seleção nacional seja campeã.