A ação de vândalos mascarados na noite de terça deixou um rastro de destruição nas ruas do Centro do Rio após a aprovação do projeto de plano de cargos e salários dos professores municipais na Câmara dos Vereadores. No início da madrugada desta quarta-feira dava para ver o tamanho do estrago. Pelo menos 12 agências bancárias foram quebradas e prédios depredados, assim como pontos de ônibus e orelhões, principalmente na Avenida Rio Branco, onde o cenário era devastador. Carros da Polícia Militar tiveram que ser deslocados para o local e PMs vigiaram agências destruídas.

Na Rua Santa Luzia, manifestantes usaram cocos verdes para destruir os vidros de uma agência. No Consulado Geral dos Estados Unidos da América, eles também jogaram pedras num dos vidros do local, que por ser possivelmente blindado, não foi quebrado.

Já na Rua México, bancas de jornais foram amassadas por chutes. Lá, uma agência teve um vidro arrancado e outros apedrejados. Na Rua Pedro Lessa, os estragos também foram grandes. Numa agência, radicais arrancaram barras de ferro, câmeras de monitoramento, máquinas que imprimem senhas de atendimento, além de extintores. Vidros também foram quebrados. “Destruíram tudo. Parece uma cidade fantasma. Onde isso vai parar?”, indignou-se um policial militar.

Pontos de ônibus ainda foram alvos de manifestantes. Dois deles ficaram destruídos na Rua Araújo Porto Alegre. Próximo dali, os vidros de uma agência eram cobertos com tapumes por quatro homens.

Por causa do protesto violento e da ação truculenta da polícia, pontos de ônibus ficaram cheios durante a madrugada. Num deles na Rua Primeiro de Março, cerca de 30 pessoas se aglomeravam em busca de uma condução.

 

“Estou indo para Bangu agora (1h), pois não quis sair no meio do tumulto. Tive medo de descer do prédio quando vi manifestante quebrando tudo. Preferi esperar a madrugada para voltar tranquila”, contou uma secretária que não quis se identificar.

Funcionários da Comlurb tiveram um trabalho árduo na madrugada. Eles recolheram muito lixo e sacos plásticos que foram incendiados por manifestantes que fizeram barricadas em ruas do Centro. Cocos e pedras que foram usados no protesto também foram recolhidos.

Na Avenida Rio Branco, nove agências foram destruídas. Numa delas, um coletor de cartas dos Correios foi usado como arma para quebrar um vidro.

Secretário Beltrame diz que conflitos são inadmissíveis

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou ontem, segundo reportagem da Agência Brasil, que ‘são inadmissíveis os confrontos entre policiais e professores da rede municipal ocorridos em frente à Câmara dos Vereadores do Rio, segunda-feira e sábado’. A declaração foi dada antes do conflito desta terça-feira.

Ainda de acordo com Beltrame, a melhor maneira de solucionar a situação seria evitar qualquer tipo de violência de ambas as partes.

“A manifestação é uma coisa, a utilização de mecanismos que agridem as pessoas é totalmente antagônico ao processo democrático e às manifestações. Eu acredito que um movimento que se torna caótico é ruim pra todo mundo. Perdem os manifestantes, perde a polícia e também perde a sociedade, que presencia cenas que ninguém gostaria de ver”, disse o secretário, no Palácio Guanabara, onde participou do lançamento de curso de tecnologia em segurança pública para policiais, bombeiros e guardas municipais. O curso é uma parceria do governo do Rio com universidades públicas e terá duração de dois anos.

Segundo um inspetor da 5ª DP (Gomes Freire), sete pessoas estiveram na delegacia até às 21h30 para prestar queixa de lesão corporal. Elas teriam sido atingidas por PMs. Em nota, a Polícia Militar informou que 17 ativistas foram detidos e quatro militares ficaram feridos.

Reajuste de 8% da Educação entra na conta em novembro

A aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) pela Câmara dos Vereadores do Rio nesta terça-feira garantiu aumento linear de 8% sobre o vencimento-base de 108 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas da Educação. Após ser sancionado pelo prefeito Eduardo Paes, o índice deve entrar no contracheque deste mês, depositado em novembro. Em agosto, os profissionais receberam 6,75% de reajuste pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial, entre junho de 2012 e julho de 2013. O aumento saiu em setembro.

Em nota, a prefeitura informou que o novo plano aprovado ontem “corrige injustiças históricas, com ações como a equiparação entre professores de níveis I e II, igualando o valor da hora- aula”. O impacto será de R$ 3 bilhões para o município nos próximos cinco anos. Com o plano, o município pretende abrir concurso com cinco mil vagas para o magistério.

Outra mudança é o recebimento de gratificação na progressão por formação sobre os vencimentos para os docentes que fizerem Pós-Graduação (3%), Doutorado (15%) e Pós-Doutorado (21%). A Secretaria Municipal de Educação vai regulamentar quais cursos serão aceitos pela prefeitura.