Uma vitória do governo brasileiro!

O brasileiro Roberto Azevêdo foi eleito oficialmente para dirigir a Organização Mundial de Comércio (OMC), anunciou o presidente da troica encarregada da seleção, o embaixador paquistanês Shahid Bashir.

Sua nomeação formal será feita na próxima semana em uma reunião do Conselho Plenário dos 159 Estados-membros da OMC.

Azevêdo, cuja eleição foi anunciada na terça-feira por fontes diplomáticas, substituirá o francês Pascal Lamy no dia 1º de setembro.

“Esteve na liderança em todas as etapas (da seleção)”, declarou Bashir à AFP.

Na terceira e última rodada da seleção, Azevêdo, de 55 anos, representante do Brasil na OMC desde 2008, competiu com outro peso-pesado do comércio internacional, o mexicano Herminio Blanco, de 62 anos, que dirigiu as negociações do México no histórico acordo comercial norte-americano (Nafta), assinado em 1994.

O processo de seleção do novo candidato durou quatro meses.

Azevêdo deve realizar uma coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira em Genebra.

O diplomata venceu a disputa com o candidato mexicano Hermínio Blanco e  substituirá, em agosto, Pascal Lamy à frente do cargo.

Azevêdo é o primeiro brasileiro a comandar uma organização chave da  governança global.

A vitória de Azevêdo é ainda mais significativa, considerando que o  concorrente mexicano recebeu 28 votos de uma só vez por parte da União  Europeia.

A decisão será anunciada oficialmente nesta quarta-feira aos 159 países  membros da OMC.

Leia mais sobre Roberto Azevêdo

Perfil

Engenheiro eletrônico, formado pela Universidade de Brasília (UnB), o  diplomata baiano é casado com Maria Nazareth Farani. É fluente em inglês,  francês e espanhol.

Chegou ao mundo da diplomacia comercial pela profissão de engenheiro.. Ao ser  transferido para Genebra, em 1997, cuidava, a princípio, de arquivos, tarefa  burocrática reservada aos neófitos da delegação; em 2001, porém, impressionou o  então embaixador, Celso Amorim, ao participar de reuniões com advogados  encarregados do litígio do Brasil com o Canadá, devido à disputa entre a  canadense Bombardier e a brasileira Embraer.

Da discussão sobre a Alca, que acabou em impasse, Roberto Azevêdo foi para a  chefia do departamento econômico, e passou a ser o chefe da delegação brasileira  nas negociações da chamada rodada Doha, de liberalização comercial na OMC, que,  agora, como diretor-geral da organização, terá a tarefa de levar a algum  resultado.

A última posição ocupada por Azevêdo em Brasília foi, de 2006 a 2008, no  Ministério das Relações Exteriores. Antes disso, já foi diretor do Departamento  de Assuntos Econômicos (2005-2006).

Em sua carreira diplomática, já serviu as embaixadas do Brasil em Washington  (1988-91) e Montevidéu (1992-94), assim como na missão permanente do Brasil em  Genebra (1997-2001), segundo informações da OMC.