A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba indicou Luiz Carlos Sobania para ser uma espécie de médico observador de todos os procedimentos realizados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também indicou um profissional, o médico Maurício Marcondes. Os nomes foram confirmados nesta quarta-feira (20).

Sobania já foi secretário de saúde do município e diretor do Hospital de Clínicas (HC). Marcondes é diretor do Hospital do Bairro Noivo.

As indicações foram feitas após a médica responsável pelo setor Virgínia Soares de Souza ser detida em uma operação da Polícia Civil. Ela é suspeita de praticar eutanásia, que é a indução à morte com o consentimento dos pacientes em estado terminal. A ação é proibida no Brasil. Ela também é suspeita de maus tratos.


Ao G1, o advogado da médica, Elias Mattar Assad, disse que em uma conversa na delegacia na manhã desta quarta-feira teve acesso a parte do inquérito. “Folheando rapidamente o documento, eu concluí que não existe prova de materialidade do crime. Nas várias certidões de óbito de pessoas que teriam morrido, nenhum dos atestados foi firmado pela minha cliente. Todos as certidões também tinham laudos do IML atestando as mortes como sendo ou de causas acidentais ou naturais”, ressaltou o advogado.

Durante a operação, foram apreendidos prontuários documentos relativos a internações e mortes de pacientes. Todos os funcionários da UTI foram convocados para depor no inquérito que tramita em caráter sigiloso. Virgínia Soares de Souza está detida no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

As indicações têm a anuência da Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba, responsável pela gestão pelo hospital. A Secretaria Municipal de Saúde também solicitou a substituição de todos os profissionais da UTI. A medida é analisada pelo hospital.