Policiais procuram nesta sexta-feira três menores resgatados de uma van do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), que levou pânico a motoristas que trafegavam pela Linha Vermelha — uma das principais vias expressas do Rio — por volta das 17h desta quinta.

Mesmo na hora do rush, cerca de dez criminosos usaram fuzis e pistolas, um Kia Cerato preto e um Peugeot vermelho, para bloquear a via e interceptar o veículo do Degase. Eles deram pelo menos três tiros na mala do carro, para estourar um cadeado, o que permitiu a fuga de seis dos 12 adolescentes. Três foram recapturados.

Do grupo que escapou, três entraram nos veículos dos bandidos, e os outros três correram em direções distintas. Esses últimos acabaram pegos por PMs nas ruas.

Com a confusão, o trânsito na Linha Vermelha ficou muito complicado, e os motoristas, apavorados. O engarrafamento ia do Caju à entrada da Ilha. Alguns motoristas usaram o Twitter, microblog da Internet, para alertar outros. Para muitos, a ação do bando tratava-se de arrastão. O Centro de Operações da prefeitura orientou os motoristas a optar pela Avenida Brasil.

Dos 12 menores de idade, três foram recapturados | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Um dos dois agentes responsáveis pela escolta, que não podem trabalhar armados, foi agredido. Dois menores ficaram feridos por estilhaços. A van do Degase com o grupo, que participou de audiência na 2ª Vara da Infância e Juventude, no Centro, estava na altura da passarela do Hospital do Fundão, na pista em direção à Ilha, onde fica o Instituto Padre Severino, ao ser atacada.

Os menores estavam no compartimento traseiro em duas celas, parecidas com gaiolas. “Fiquei surpreso com a ousadia dos bandidos”, afirmou o comandante do 17º BPM (Ilha do Governador), tenente-coronel Ezequiel Mendonça. Após o resgate, quatro patrulhas da PM seguiram para o local e um helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a via expressa.

Nervosismo na hora de abrir cadeado

‘Eles foram rápidos e violentos. Nunca havia passado experiência como essa’, desabafou Marcelo Alves, agente do Degase que dirigia a van e ficou ferido por coronhada. Há 13 anos na instituição, ele contou que os criminosos só perguntavam onde estava o ‘chefão’ e se referiam a este através de um apelido.

O agente também revelou que abriu a mala da van sob a mira de armas, mas, por estar nervoso, não conseguiu destrancar os cadeados das celas.

‘Achei que fosse morrer’, disse Marcelo. O menor procurado estava com outros cinco menores que seriam oriundos de comunidades dominadas pela facção Terceiro Comando Puro . Na outra cela da van, havia seis que seriam moradores de favelas do Comando Vermelho. Alguns aproveitaram para escapar — e foram recapturados.

Anúncios