Antes de postar a reportagem sobre o “garçon do sinal” vou narrar uma cena que também tem a ver com o ocorrido.

Hoje na parte da manhã em Niterói, mais precisamente em São francisco, passou pelo carro ue eu estava dirigindo 2 viaturas com as sirenes ligadas e naquela pressão pedindo passagem e logo atrás uma viatura do detro, pensamos em se tratar de pegar algum bandido perigoso e tal mas não era nada disso, mais a frente pararam um VAN. Isso entristece e deixa a população sempre contra a PM, pq o cara da VAN está ganhando o dele, trabalhando… e não roubando (como muitos PM’S fazem no horário de trabalho). Por isso acho uma corporação falida e sem respeito.

Um tradicional vendedor de rua, que trabalha há anos em um sinal de trânsito no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio de Janeiro, acusa um guarda municipal de tê-lo agredido durante uma ação contra o comércio irregular realizada na última sexta-feira (18). O ambulante, conhecido na região como “Garçom do Sinal”, e algumas testemunhas, afirmam que um guarda municipal o enforcou. O fato ocorre dois dias depois da inauguração da Unidade de Ordem Pública (UOP) do Flamengo, Catete e Glória.

O jornalista Marcio Motta, que passava na hora pelo local, filmou com o celular a ação dos guardas municipais. “Eu observei que um guarda estava enforcando, atrás da árvore, o nosso amigo, o ‘Garçom’, tão querido e superconhecido aqui na região”, conta Motta. “Ele vende as bebidas, água e refrigerante, em uma bandeja”, acrescenta o jornalista, explicando o motivo do apelido.

Guarda municipal diz que foi agredido No vídeo, o “Garçom do Sinal” acusa várias vezes um dos guardas municipais da agressão. “Me solta, cara! Eu não sou ladrão não. Está me enforcando! Ele me enforcou.”, grita ele, logo no começo da gravação. “Enforcaram. Deram uma ‘gravata’ no cara”, denuncia, no vídeo, um motociclista que passava na hora, referindo-se aos guardas municipais. “Diante da recusa em ceder o material de trabalho, ele acabou tomando uma chave de braço”, afirma Motta. “Quando comecei a filmar, o guarda municipal percebeu e parou de agredir, de continuar enforcando”, complementa.

No vídeo, um dos guardas municipais nega o enforcamento e se defende: “Ele que tentou me agredir. O senhor jogou a mercadoria em cima dos meus companheiros”, afirma ele, dirigindo-se ao ‘Garçom do Sinal’. “Nenhum deles está molhado”, responde o vendedor. “Eu não vi isso acontecer em momento algum. Ele (o ‘Garçom do Sinal’) não atirou nenhum tipo de material sobre os guardas. Ele abraçou o carrinho dele, com as bebidas, e quando viu que os guardas, com uma força maior, iriam conseguir retirar, acabou jogando as bebidas no chão. Jogar no chão é diferente de jogar em cima do guarda. Agora, é claro que pode ter pegado um pouco na bota”, conta Marcio Motta.

‘Garçom do Sinal’ é figura tradicional da Glória O ‘Garçom do Sinal’ trabalha há muitos anos no sinal de trânsito da esquina das ruas do Russel e Augusto Severo, de acordo com taxistas e pessoas que frequentam a região. “Eu o conheço. Nunca vi ter problema. Muito pelo contrário: o atendimento dele, vendendo os produtos para o pessoal que passa ali, é muito bom. Muito bom mesmo”, disse o taxista Paulo Cesar Peçanha, que trabalha na área.

“Eu o ensinei a vender na bandeja. Uma vez ele veio me vender um guaraná e eu disse: ‘No dia em que você vestir uma bermuda, uma camiseta, e servir em uma bandeja, eu tomo. Agora, servindo a garrafa na mão, não fica legal.’ Ele mora aqui perto. É trabalhador”, contou o taxista Antonio Pereira de Souza.

No meio da entrevista com o taxista, a passageira pediu a palavra: “Conheço ele (o ‘Garçom do Sinal’) há mais de dez anos, e a gente sempre brincava muito. Ele é um cara supereducado, uma excelente pessoa. Nunca vi arranjar qualquer problema, mas não sei realmente se ele pode trabalhar neste ponto”, observou a psicóloga Rosalia Lacroix. “Mas ele sempre aborda as pessoas com muita educação. É uma pessoa muito gentil”, acrescentou ela.

A Guarda Municipal divulgou uma nota oficial sobre a ocorrência: “A Guarda Municipal informa que está realizando operações no bairro do Catete para coibir o comércio irregular. O vídeo não mostra nenhuma agressão e nem força excessiva. As imagens mostram apenas a imobilização do ambulante, que teve a sua mercadoria apreendida por estar atuando de forma e em local irregulares. Estar de posse da nota fiscal não impede a apreensão do produto, pois trata-se de um comércio irregular. A GM-Rio informa que, caso o ambulante queira prestar depoimento contra os guardas, poderá fazê-lo na Corregedoria Interna, que fica na Avenida Pedro Segundo, número 111, em São Cristóvão.”

‘Isso é justo num país dessses, cara?’, indaga ‘Garçom do Sinal’ “Eu acho que se a Guarda Municipal, em vez de coibir e retirar o material, vier com uma prancheta, fazer um formulário, pegar o nome do ambulante, tirar foto e fazer o registro dele, deixaria de ser uma atitude repressiva e seria uma atitude de orientação ao cidadão”, comentou o jornalista Marcio Motta. “Seria uma atitude mais positiva para a cidade, inclusive. Acho que a prefeitura deveria se preocupar um pouco mais com as pessoas que são do bem e não estão fazendo o mal. Só querem sobreviver. É claro que tem que haver ordem, mas violência, não”, concluiu ele.

“Eles me enforcaram. Falaram que agredi, sem eu ter agredido”, contou, chorando, o ‘Garçom do Sinal’, depois de os guardas terem ido embora. “A gente é tratado como marginal. Há 21 anos trabalho aqui. Ainda acha que está certo um negócio desses. Olha o que sobrou para mim: depois de mais de R$ 60 de mercadoria que comprei, olha o que deixaram para mim”, lamentou o vendedor, mostrando umas moedas que havia acabado de catar no chão. “Isso é justo? Isso é justo num país desses, cara?”