Os 53 brasileiros a bordo do Costa Concordia sobreviveram ao naufrágio do navio na noite de sexta-feira, informou a empresa Costa Cruzeiro. Pelo menos três pessoas morreram — dois turistas franceses e um tripulante peruano —, 40 ficaram feridas e 70 estão desaparecidas. <EM>O Costa Concordia se dirigia do porto de Civitavecchia em Savona, Itália, quando, às 21h30, bateu numa rocha, que abriu uma fenda de 70 metros em seu casco, encalhou sobre um banco de areia, próximo à Ilha de Giglio, e tombou. Os passageiros jantavam na hora.

Uma falha no sistema de radar eletrônico do navio, combinada à negligência do capitão, são apontadas como causas do naufrágio. Segundo autoridades locais, a embarcação navegava a apenas uma milha da costa, perto da Ilha da Toscana, quando navios de grande porte são orientados a navegar a pelo menos três milhas da costa.
A polícia local deteve para interrogatório o comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino. Ele e o primeiro oficial do navio, Ciro Ambrosio, podem ser processados por homicídio culposo e abandono do navio, pois deixaram a embarcação quando ainda havia passageiros.

Ao longo do sábado, equipes de resgate usaram 12 navios e nove helicópteros em busca dos 70 desaparecidos. A Guarda Costeira suspeita que eles possam ter se afogado ou procurado ajuda com moradores da Ilha de Giblio.
O Costa Concordia levava ao todo 4.229 pessoas a bordo, sendo 3.209 passageiros. O barco fazia um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo e saiu do porto de Civitavecchia (centro) com destino a Savona (norte), para começar uma viagem com escala em Palermo e Cagliari, na Itália, Palma de Mallorca e Barcelona, na Espanha, e Marselha, na França, antes de voltar a Savona, segundo nota da companhia Costa Cruzeiro, dona da embarcação.
Segundo pessoas que participavam do cruzeiro, às 21h30 foi sentido um solavanco muito forte e, logo em seguida, o navio começou a inclinar para o lado esquerdo. Pratos e copos foram ao chão, gerando pânico. Alguns passageiros se lançaram ao mar.
A empresa Costa Cruzeiro informou que havia a bordo pessoas de diversas nacionalidades na embarcação, incluindo italianos (989), alemães (569), franceses (462), espanhóis (177), americanos (129), croatas (127), russos (108), colombianos (10), chilenos (10), peruanos (8), venezuelanos (5), cubanos (2), equatorianos (2), mexicanos (2) e um uruguaio.
“Parece óbvio, mas a sensação era de que estávamos no Titanic”
Em mensagens repassadas pelo celular, a repórter Alana Rizzo, do jornal ‘Estado de S. Paulo’, relatou o desespero dos passageiros que estavam a bordo do Costa Concordia. De férias com os pais, a repórter passou momentos de pânico, que a fizeram ter a sensação de estar no Titanic.
No relato, ela conta que o jantar era servido quando foi ouvido um forte ruído. “Pratos e copos começaram a deslizar e sentimos o navio tombando. A primeira reação foi correr para os andares mais altos. Chegamos a nossa cabine, no oitavo andar e pegamos casacos e coletes”.
Nessa hora, conta, pegou o celular. “A tripulação tentava nos acalmar e dizer que a situação estava controlada. Insistiam para que ficássemos nas cabines. Ninguém sabia o que estava acontecendo até sentirmos o navio tombar mais uma vez, e cada vez mais rápido”, relatou Alana em torpedos.