Devemos lembrar que uma iniciativa de emenda do deputado estadual Gilberto Palmares garante aos moradores do Complexo do Alemão cadastrados o direito de duas passagens (ida e volta) no teleférico por dia.

Aos 63 anos, o portuário Gilson da Silva Iorio foi pela primeira vez a uma favela. Morador de Todos os Santos, na Z. Norte, chegou à estação Bonsucesso uma hora e meia antes de o Teleférico do Alemão entrar em funcionamento e foi o 1º passageiro a embarcar. Ontem, na inauguração do serviço ao público, o novo transporte atraiu ‘turistas’ cariocas, casais em passeio romântico e moradores, que já fazem planos para gastar o dinheiro economizado.

FOTO: Deisi Rezende / Agência O Dia
Moradores fizeram fila para conhecer as estações do teleférico do Alemão no seu primeiro dia de operação. A maioria descia e subia em cada parada para curtir a novidade | FOTO: Deisi Rezende / Agência O Dia

“Depois do passeio, posso afirmar que aqui será o novo ponto turístico do Rio e bem diferente dos outros. Vou trazer minha família assim que der”, planeja Gilson, que passeou pela favela e se surpreendeu com a cordialidade dos moradores. Segundo da fila, o aposentado Amilton Francisco de Lima, 43, pensa até em se mudar para o Alemão. “Vou vender minha casa em Olaria e comprar outra perto da estação de Itararé, onde minha tia mora”, comenta.

A viagem sobre o conjunto de favelas inspirou até romance de casal de Thomaz Coelho. Aos beijos, Luiz Carlos de Souza, 52 anos, e Iracema Josina da Silva, 54, curtiam o dia de folga em uma gôndola. “Aproveitamos para fazer uma programação romântica. Pena que a gente chegou em cima da hora e não deu para ir até a última estação, no Morro das Palmeiras. Mas vamos voltar”, promete Luiz Carlos.

Mais rápido e mais barato

Locais também aprovaram o teleférico, que representa economia de dinheiro e tempo. Morador do Morro das Palmeiras, o pensionista Ednaldo Batista da Costa, 48, gastava R$ 4,50 para, em meia hora, ir de Kombi a Bonsucesso. O trajeto agora leva 16 minutos, de graça. Uma economia de R$ 360 por mês para ele e a mulher. “Vou aproveitar a economia para visitar minha família. Há 7 anos não vou à Paraíba”, comemora. Para o operador de tráfego Guilherme Saioro, 50, o teleférico representa a liberdade dos moradores: “As coisas estão melhorando!”

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