Deputado estadual pelo PT e presidente da Frente Parlamentar Contra o HIV/Tuberculose

 A morte de um homem de 34 anos, por tuberculose, no início do mês infelizmente não é surpresa. Ao contrário. É mais uma pessoa a engrossar as tristes estatísticas que fazem do Rio o estado campeão nacional de mortes por tuberculose. São quase 900 óbitos por ano, número três vezes maior que o de mortos pela dengue.


Também não é surpresa que sua morte tenha ocorrido apenas 20 minutos depois de sua chegada em casa, após ter sido liberado pelo hospital onde se internara. Não há leitos suficientes para atender os doentes e, principalmente, a casos mais graves. Em todo o estado, só dois hospitais atendem esses pacientes — o Ary Parreiras, em Niterói; e o Santa Maria, em Jacarepaguá.

Na tentativa de mudar esse quadro, em 2009 instalamos na Alerj a Frente Parlamentar Pela Luta Contra o HIV/Aids e Tuberculose, em parceria com diversas entidades. Este ano, na manhã de 18 de março, uma semana antes do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, estivemos na Central de Regulação de Vagas para uma vistoria. Havia 12 pacientes aguardando internação. À tarde, quando lá regressamos, três deles não haviam conseguido leito. Dois deles eram os casos mais graves.

Em que pese o trabalho correto e diligente dos profissionais de saúde, nada disso será suficiente enquanto a tuberculose não for tratada em nosso estado como uma política pública prioritária. Isso significa desde aumentar o número de leitos até oferecer vale-transporte para os doentes, já que a maioria é muito pobre.
É intolerável que pessoas sejam retiradas de um hospital público e devolvidas para casa para morrer. A terceira economia do País e a cidade-sede de dois grandes eventos esportivos mundiais não pode continuar a ser a campeã nacional de mortes por tuberculose.

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