Enquanto os policiais fazem a sua parte de proteger a população de bandidos que usam a estrutura do poder público e seu maquinário para cometer seus crimes, o judiciário solta. Todo mundo sabe, o judiciário sabe… mas os “de gravata e diploma” sempre fingem não enxergar. VERGONHA.

—-A Justiça concedeu liberdade para 43 presos da Operação Guilhotina desencadeada em fevereiro deste ano. A procuradora de Justiça, Celma Alves, coordenadora do grupo de habeas corpus do Ministério Público, disse que o MP ainda não recebeu a decisão do juiz, mas adiantou que o órgão vai analisar os fundamentos da decisão e recorrer. Os alvarás de soltura já  estão sendo expedidos e os presos devem sair ainda nesta terça-feira.

Agentes da PF cumprem 45 mandados contra policiais corruptos e pessoas ligadas a traficantes e milicianos. Lanchas são usadas contra o crime na Baía de Guanabara

Até a tarde desta terça, o número de habeas corpus concedidos era de 40  Apenas os acusados presos em flagrante continuam sob custódia. O pedido foi aprovado, por unanimidade, pela 7ª Câmara Criminal.

Os suspeitos foram denunciados por formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, extorsão, violação de sigilo funcional e comércio ilegal de arma. De acordo com as investigações, um grupo fazia parte de milícia; dois eram ligados a traficantes e praticavam o ‘espólio de guerra’ (desviavam armas, munição, drogas e objetos apreendidos em operações); e o quarto atuava na segurança de contraventores.

Segundo a Polícia Federal, um dos grupos “promoveu uma verdadeira devassa no Complexo do Alemão”, durante a ocupação da região ano passado. Os agentes chegaram a chamar o local de Serra Pelada, região do Pará famosa pela corrida ao ouro nos anos 80. Outros policiais teriam recebido propina dos traficantes Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto no ano passado, e de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, para vazar as operações.

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Segundo a denúncia, não existia hierarquia entre a chefia da milícia, exercida por três policiais, e os que atuavam no segundo escalão do bando. Oliveira seria responsável por ‘facilitar suas atividades controlando as autoridades das delegacias nas quais os milicianos exerciam suas funções’.

Alguns integrantes tinham a missão de arrecadar bens e armas, enquanto outros patrulhavam a favela. No grupo, também havia os encarregados de atacar quem se opusesse à milícia. Controle do transporte alternativo, ‘gatonet’ e distribuição de gás e água eram outras funções. Entre os policiais que serão soltos estão o PM Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho e o policial civil Leonardo da Silva Torres, o Trovão.

De acordo com o advogado Ricardo Braga, do escritório Mario Sergio Machado Monteiro, que defende o delegado Carlos Oliveira, a Justiça entendeu que a prisão do policial era desnecessária. “O desembargador Sidney Rosa teve o cuidado de, diante da informação da autoridade coatora,  verificar qual a testemunha que estava sob a custódia do estado. E verificou que essa informação não estava compatível com a realidade”