O Governo francês confirmou neste sábado o começo das operações militares em cumprimento à recente resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia.

Laurent Teisseire, porta-voz do Ministério da Defesa francês, afirmou que “as operações começaram nesta tarde” e que os aviões franceses estão sobrevoando a Líbia para proteger a população civil.

Ele acrescentou que, paralelamente, outros aviões estão preparados para intervir, caso os blindados do Exército líbio ameacem à população civil.

O porta-voz indicou que o conjunto dessas ações “se realiza em associação” com os outros países que neste sábado aprovaram neste sábado a aplicação dos objetivos da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que autoriza o uso da força na Líbia.

Teisseire afirmou que cada país apresentará suas próprias forças e indicou que a França mostrou sua reação para proteger a população civil da Líbia.

O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou que a Espanha participará do estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia com um avião cisterna e quatro aviões de combate F-18, que realizarão patrulhas aéreas e decolarão neste sábado rumo a uma base italiana.

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Os aviões franceses que neste sábado começaram a operação militar na Líbia abriram fogo contra as forças de Muammar Kadafi, anunciou o Ministério da Defesa francês, que ressaltou que a missão pretende garantir a exclusão do espaço aéreo e evitar ataques contra a população civil.

Thierry Burkhard, coronel do Estado-Maior do Exército, indicou em entrevista coletiva que um dos caças franceses envolvidos nas operações desta tarde realizou “um tiro contra um veículo militar”.

A missão, que ainda não tinha terminado quando Burkhard falava à imprensa em Paris, aconteceu “com meios franceses”, com um total de 20 aviões apoiados por duas fragatas que se encontravam na região.

No entanto, também colaboraram aviões radar Awacs de outra nacionalidade, indicou o coronel do Estado-Maior, que não quis precisar o país de procedência.

O oficial justificou a iniciativa francesa afirmando que era necessário atuar “rapidamente”, embora tenha se esforçado em insistir que se trata de uma intervenção internacional, e que a França espera que outros países tenham seus dispositivos em prontidão.

A operação começou por volta das 11h (7h de Brasília) com a decolagem de quatro caças Rafale da base francesa de Saint Diziers. Às 15h (11h) se somaram outros aviões de combate Mirage com o objetivo de “atacar alvos militares” caso fosse constatado que as forças de Kadafi atuavam contra a população civil.

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BRASÍLIA, 19 Mar 2011 (AFP) -O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado, em Brasília, que autorizou uma “ação militar limitada” na Líbia, sem a presença de tropas americanas no território líbio e até que o coronel Muammar Khadafi acate a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.

“Hoje autorizei as Forças Armadas dos Estados Unidos a empreender uma ação militar limitada contra a Líbia”, declarou Obama, destacando que não enviará tropas ao solo líbio.

“Como já disse ontem, não vou, repito, não vou enviar tropas terrestres” à Líbia, disse o presidente americano.

Na mesma entrevista, Obama destacou que “os atos têm consequências” para Muammar Khadafi, ao justificar a decisão de participar da operação para deter o regime líbio nos ataques contra os rebeldes e a população civil.

Após vários dias de árduas negociações, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite de quinta-feira o uso da força contra as tropas de Khadafi.

Segundo o almirante americano William Gortney, Estados Unidos e Grã-Bretanha já dispararam 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra alvos na Líbia, que atingiram “mais de 20 alvos”, incluindo instalações do sistema integrado de defesa antiaérea e de comunicações estratégicas, todos situados na costa.

A TV líbia afirma que “objetivos civis” foram bombardeados em Trípoli, Misrata, Zuara (oeste) e Benghazi (leste)”, incluindo o hospital de Bir Osta Miled, 15 km a leste da capital.

Um alto oficial líbio qualificou os ataques de “agressão bárbara” contra objetivos civis e militares que provocou “numerosas vítimas”.

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A Força Aérea britânica entrou neste sábado em ação na Líbia dentro da operação internacional contra o regime do líder Muammar Kadafi, anunciou o primeiro-ministro David Cameron, em uma declaração feita em frente a Downing Street.”As forças britânicas entraram em ação sobre a Líbia. Fazem parte de uma coalizão internacional para colocar em prática a vontade das Nações Unidas. Todos vimos a brutalidade atroz aplicada pelo coronel Kadafi contra seu próprio povo”, disse Cameron.

Após presidir uma reunião de emergência de seu gabinete de crise, Cameron afirmou que a ação militar é “necessária, legal e justa”.

“É necessária porque, junto a outros, deveríamos estar tentando prevenir que (Kadafi) empregue suas forças militares contra seu próprio povo. É legal porque temos o respaldo do Conselho de Segurança da ONU, e é justa porque achamos que não podemos ficar apenas observando enquanto esse ditador massacra seu próprio povo”, explicou o primeiro-ministro, que considerou a medida de interesse da população britânica.

“Acho que todos devemos ter a segurança que o que estamos fazendo é uma causa justa e por nosso interesse nacional”, acrescentou.

Antes, Cameron havia dito que Kadafi rompeu o cessar-fogo anunciado na sexta-feira, horas depois da aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorizava o uso da força, e que, portanto, o líder líbio deveria assumir as consequências.

“Chegou a hora da ação”, manifestou o primeiro-ministro após a cúpula de líderes mundiais realizada neste sábado em Paris.

Em seu discurso, Cameron, que foi um dos mais firmes defensores da ação militar para evitar a repressão pela força da rebelião contra Kadafi, fez também uma menção especial aos soldados britânicos envolvidos.

“Hoje, nossos pensamentos estão com aqueles de nossas forças armadas que estão arriscando suas vidas para salvar as vidas de outros. São os mais valentes entre os valentes”, declarou.

Cameron afirmou ainda que o Governo confirmou com o procurador-geral, Dominic Grieve, a legalidade da ação internacional e ressaltou que “há uma base legal inequívoca para o desdobramento (no Mediterrâneo) de forças e ativos militares do Reino Unido”.