CARTA AOS JOVENS E AOS DEMOCRATAS

Frei Tito, frade dominicano, foi seqüestrado, preso e torturado barbaramente pela ditadura militar. A tortura física e psicológica foi tão violenta que, anos depois de libertado, frei Tito se suicidou. Talvez por isso Ulisses Guimarães tenha dito, de forma veemente:  “… tenho nojo e ódio das ditaduras …”

Por que esta lembrança nesse momento de disputa eleitoral entre Dilma e o PSDB? Entre a candidata de um governo com 80% de aprovação popular, e o outro, que representa a volta ao passado de desemprego alto, submissão ao FMI, privatização de estatais, falta de solidariedade aos povos e nações vizinhas?

É que, infelizmente, nesta campanha eleitoral, mais que em qualquer outra em toda a história republicana, está se utilizando de práticas preconceituosas, discriminatórias, obscurantistas.  Com o agravante de que setores da mídia comercial engrossam, de maneira visceral, essa campanha, usando de todos os meios para impedir a vitória de Dilma, ressuscitando processos e argumentos da ditadura militar.

Exemplo gritante disto é a matéria publicada pelo jornal O Globo no dia 15/10/10, com o seguinte título: “STM tranca processo contra Dilma”. E o subtítulo: “Candidata petista responde por atividades subversivas”. O processo em questão é do início dos anos 1970, no período mais duro do regime militar, quando jovens e adultos, de esquerda ou de centro, que manifestassem qualquer discordância com o regime e defendessem a liberdade de opinião, o direito de greve e eleições diretas, eram presos, torturados e mortos.

Conheci pessoalmente vários brasileiros e brasileiras vítimas da ditadura. João Carlos Mateus, Ferreirinha, Irony, Raimundo Teixeira Mendes, Batistinha, o herói de três guerras Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra, padre Mário Prigot, Angela Borba, a guerreira Heloneida Studart. A história registra muitos outros como Vladimir Herzog, Manoel Fiel Filho, Rubens Paiva, David Capistrano, Joaquim Palhano, Stuart Angel, Dilma Rousseff.

Dilma, como muitos jovens idealistas e solidários que colocaram sua vida em risco pela causa da liberdade, em defesa do Brasil e do povo brasileiro, foi presa, barbaramente torturada e processada pela ditadura militar. E apesar de tudo o que sofreu, não guardou mágoa ou rancor.

No regime democrático continuou trabalhando para reduzir as desigualdades e a miséria, por uma vida digna para todos, pelo respeito ao direito de greve, pelo respeito a todas as manifestações da fé, pelo combate a homofobia, pela igualdade entre homens e mulheres, entre brancos e negros, pela resolução democrática dos conflitos. Pela paz, e não pela guerra.

Em respeito a todos os atuais e antigos lutadores como Dilma Rousseff, que não tiveram medo de entregar suas vidas a uma causa; acreditando na democracia e na liberdade como valores fundamentais é que lutamos com firmeza para, no dia 31 de outubro, fazer

DILMA 13 PRESIDENTE

Gilberto Palmares, sindicalista, deputado estadual